24/11/2011
Quem disse que velório não pode ser engraçado? (André Barcinski)
http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/arch2011-11-20_2011-11-26.html#2011_11-24_08_52_56-147808734-0
Aproveitando o post de anteontem sobre a burocracia de velórios e enterros, lembrei desse vídeo sensacional de uma cerimônia em tributo a Graham Chapman, do Monty Python.
O discurso de John Cleese é antológico. Confira.
O vídeo me fez lembrar um velório que presenciei.
Meu tio, Paulinho Albuquerque, era um sujeito sensacional, muito querido e conhecido por toda a classe musical do Rio. Era produtor de discos, foi curador de Free Jazz Festival e do Tim Festival, entre outras coisas. Uma figura inesquecível.
Era também a pessoa mais engraçada que já conheci, sempre inventando trotes para sacanear os amigos. Tinha um humor muito peculiar e fazia piada com qualquer coisa, incluindo a própria mãe, minha avó, que morria de vergonha quando Paulo assobiava e gritava da janela: “Aí, Sarinha, tá com tudo em cima, hein? Gostosa!”.
Quando a cantora Shirley Horn morreu, em 2005, ele sugeriu ao amigo Zé Nogueira, que o ajudava com a curadoria do Tim Festival, uma homenagem a Horn: “Ainda está em tempo. Podíamos pedir duas horas de silêncio no palco de música eletrônica!”
Foi Paulo quem teve a idéia de juntar as trupes do Planeta Diário e da Casseta Popular em um show, o que acabou dando no programa de TV “Casseta e Planeta”. Era muito amigo de todos eles, em especial de Bussunda.
No meio da Copa do Mundo de 2006, Bussunda morreu. Paulinho ficou muito abalado. Nove dias depois, teve uma parada cardíaca e morreu. Tinha 64 anos.
O velório foi no Caju. O lugar ficou lotado de amigos e o clima era de consternação.
Mas, sendo velório do Paulo, que não levava nada a sério, logo começaram as piadas. Um dos Cassetas, estarrecido por duas mortes de pessoas próximas em tão poucos dias, comentou: “Que merda! Bem que disseram que ia começar a fase do mata-mata na Copa!”
Depois, começou a sessão de piadas envolvendo o Botafogo, time do Paulo, que inclusive foi cremado com uma camisa do clube. Um funcionário do Caju disse: “Com essa camisa, não precisa nem perguntar se ele quer ser cremado, né?”
Um dos integrantes do Casseta, Reinaldo, montou um blog divertido sobre o Paulinho, reunindo várias histórias contadas por amigos e parentes. Quem se interessar, pode ver aqui.
Para arrematar o tom tragicômico, um dos familiares, na época trabalhando na produção de um evento de música eletrônica, chegou ao velório numa van adesivada com o logotipo da festa. O nome: EUPHORIA. |
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